Uma pequena análise de fatores que nos cercam através de um olhar pessoal. É uma obra de ficção, nem as datas ou os fatos mencionados correspondem a fatos reais, apenas em experiências similares
sexta-feira, 8 de março de 2013
Rio de Janeiro, 3 de janeiro de 2002.
Rio de Janeiro, 3 de janeiro de 2002.
Nossa, hoje o dia foi corrido, mas foi ótimo. A reunião com os meus amigos foi excelente, consegui esclarecer algumas questões e me revoltar com outras.
O único inconveniente foi quando fomos todos almoçar e tinha um grupo de pessoas que olhavam diferente e faziam comentários quanto às pessoas ali presentes, o que realmente me deixa indignada, pois estávamos ali consumindo e nos portando como qualquer pessoa “normal”. Mas não era a normalidade deles, ou melhor, a que eles estão acostumados a ver.
Pensei em algumas questões e concluí, depois do encontro, que todos os seres, não só nós seres humanos, nascem bissexuais, mas conforme vamos crescendo sofremos uma imposição que nos faz definir qual a sexualidade que adotaremos em nossas vidas.(inclusive Freud já falava sobre isso)
Não me refiro apenas à imposição social, como constituir família, ter filhos, etc., mas a imposição de nós mesmos, que nos enxergamos como seres complementares, portanto o correto seria encontrarmos um par que nos complete.
Biologicamente o homossexualismo seria um risco para a sobrevivência humana, pois não haveria como reproduzirmos. Isso seria um fato, se não houvesse aquela velha questão – nossa individualidade. Ou seja, nem todas as pessoas necessariamente têm que ser bi ou homossexual, contanto que essa escolha esteja baseada em uma opção individual, e não em uma pressão social ou moral.
Todos nós somos seres que desenvolvemos sentimentos e atrações que se manifestam independente de nossa vontade, portanto poderíamos nos interessar por pessoas independente do sexo. Mas essa vontade nos é castrada desde cedo, pois embutem em nossas cabeças que isso é errado, mas ninguém nos responde se é certo reprimirmos um desejo que futuramente poderá nos causar algum tipo de frustração em outra área de nossas vidas. Isso poderá acarretar danos muito maiores do que simplesmente o de assumir uma preferência sexual que mais nos agrada.
O contato físico com alguém sempre manifesta em nós algum tipo de reação, podendo esta reação ser de carinho, proteção, repulsa ou tesão. Mas quando sentimos atração ou tesão por pessoas do mesmo sexo, somos logo tomados por um impulso de transformar essa reação em repulsa, quando na verdade o que desejamos é o oposto.
Quando digo que somos todos bissexuais, é que nem sempre “somos” homossexuais, às vezes, “estamos” homossexuais, ou seja, podemos sentir atração por uma pessoa do mesmo sexo por algum motivo especial. Sem que necessariamente precisemos sentir a mesma atração por outras pessoa. Assim como ocorre com pessoas do sexo oposto. Não é porque se é homem que deverá sentir atração por todas as mulheres que existem.
Na verdade quando isso ocorre chegamos a nos insultar conosco, questionando como podemos estar indo contra toda a “lógica humana”. Ora, até hoje ninguém me mostrou um manual de instruções onde estivesse escrito que isso era proibido!
Esse sentimento de repulsa acaba acarretando atos de desespero, como uma agressão ou total desprezo por pessoas homossexuais, talvez achando que longe desse tipo de pessoa não irá sofrer a “tentação” de achar que isso é correto, e correr o risco de se entregar à sedução.
Nenhum de nos está livre de se sentir atraído por alguém do mesmo sexo, mas ao invés de tentar bloquear este sentimento, devemos encara-lo da forma mais natural possível para não corrermos o risco de cometermos atos de insanidade que terão conseqüências muito mais drásticas do que esse simples ato. Não precisamos definir uma sexualidade, afinal somos todos “seres sexuais”, mas sim deixarmos a nossa sexualidade livre para os sentimentos que vierem a surgir.
Tentei ver todos os lados desta questão. Do lado biológico realmente deveríamos nos sentir atraídos pelo sexo oposto, pois como todo o animal temos instintos, e todas as fêmeas entram no cio, o que desencadeia uma reação no macho de procriar e na fêmea de ser fecundada. Bem isso seria lógico se quando analisássemos o mundo animal não constatássemos que também lá existem casos de homossexualismo. Como a ciência explica isso? Nem ela sabe, genética talvez. Mas já podemos chegar a uma conclusão, tanto do lado biológico como social, ninguém “escolhe” ser homo ou bissexual, não é uma “opção”, se não nenhuma mulher conseguiria se sentir atraída por outra quando estivesse “no cio”, ou um homem não conseguiria resistir a uma mulher quando ela estivesse nessa fase.
Do lado social, nenhuma pessoa, a não ser que fosse masoquista gostaria de se sentir excluída da sociedade em que vive, nem ser discriminada, que é o que ocorre com as pessoas que não se integram na sociedade em que vivem.
Podemos talvez dizer que essa opção seja mais formada pelo nosso “café com leite” do que propriamente com nossas influências sociais.
Nenhum ser humano tem o direito de criticar ou oprimir o direito de outrem de se expressar, os valores morais embutidos na sociedade são de criação própria desses homens reprimidos e confusos consigo mesmos, o que não lhes dá muito crédito para decidir o que é correto ou não para a vida de um semelhante. Isso me lembra uma passagem do livro “Humano, demasiado Humano” do filósofo Nietzsche – “O homem é criador dos valores, mas esquece sua própria criação e vê neles algo de transcendente, eterno, verdadeiro, quando na verdade os valores não são mais do que humano, demasiado humano”.Ora, se os valores são criações humanas e todos os humanos cometem falhas, isto significa que os valores também podem ser falhos. Portanto isso me deixa a vontade para questiona-los e se quiser agir contra eles!
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