sábado, 9 de março de 2013

Rio de Janeiro, 4 de julho de 2010

Rio de Janeiro, 4 de julho de 2010 E mais um grande espaço de tempo sem escrever por aqui, dessa vez posso usar a desculpa da falta de tempo, o que não me pareceria muito adequado nem verdadeiro. Prefiro usar a realidade de que a vida nos consome de uma tal forma em determinados momentos, que esquecemos das coisas mais prazerosas para nos sufocarmos com problemas que são jogados em nós. Muita coisa aconteceu, novos trabalhos, novos amores, novas perdas, novas decepções, novos aprendizados. Nesse tempo pude parar para pensar em uma frase que dizem por aí “não faça com os outros o que não quer que façam com você.” Eu não sei porque também não dizem “não faça com os outros a mesma coisa que fizeram com você”. Não sei o porque, que nessa nossa sociedade temos que estipular padrões do que é certo e errado. Um padrão para o que é bom, outro para o que é ruim, para o que é cinismo, o que é falsidade. As palavras tem nelas mesmas definições, mas a forma como elas são utilizadas não estabelecem um padrão de comportamento. Se eu usar a primeira frase de não fazer o que não quero que façam comigo, por vezes deixarei de usar a minha individualidade ou vou sobrepuja-la por uma convenção¿ Um exemplo simples: Eu não quero que ninguém me dê um soco, mas se alguém merecer darei na pessoa com um prazer imenso! Não vou deixar de dar um soco apenas porque não quero tomar um. Podemos entrar em outro mérito, o de não “querer” ou não “merecer”. Pode ser que eu não queira levar um soco, mas talvez eu mereça, ou eu não mereça e leve um soco. Outra questão muito relativa. O que é “merecer”¿ Acho que na nossa sociedade, e em outras, essa palavra está mais pendendo para o lado do castigo, da punição. Eu roubei¿ Mereço ser preso.Magoei alguém¿ Mereço que me magoem. Ou o inverso total, o merecimento pode ser um prêmio! Eu trabalhei muito, mereço ser rico. Tudo volta a ser absurdamente relativo! Se eu roubei pra alimentar meus filhos mereço ser punida¿ Se magoei alguém inconscientemente, porque sou um ser humano único e com falhas, mereço ser punida¿ Se eu trabalho muito mereço ser mais rica do que alguém que jogou na loteria¿ Será que ele não “merece”¿ Merecimento é algo pessoal, individual, o meu conceito é diferente do seu, então a questão é “não faça com os outros o que fizeram com você apenas porque ele merece, porque é assim que se aje”. Voltemos ao exemplo anterior: Se alguém me der um soco, eu não tenho que retribuir porque é isso que a sociedade espera que eu faça, eu se eu achar que mereço¿(voltamos a questão do merecimento) Se eu quiser “retribuir” o soco, tem que ser por uma análise individual minha, e não por influência do que é certo ou errado que me foi imposto durante anos. O contrário também é correto. Se eu acreditar em Cristo eu devo dar a outra face apenas porque a minha religião diz, e a sociedade que eu vivo na Igreja me diz isso¿ Se eu quiser imensamente revidar, achar que isso é o correto, serei criticada pelos meus pares¿ É mais uma vez a sociedade influenciando nosso comportamento, nossas frases, nossas atitudes com algo que não lhe cabe. Nossa individualidade se sobressai, nosso conceito de certo e errado é o que é válido, assim como qualquer consequencia que venhamos arcar com nossos atos caíra sobre nós, pessoas, indivíduos. Existem algumas exceções, em que as consequencias dos nossos atos podem causar danos em outras pessoas, mas isso é assunto pra outro dia, porque agora preciso de um bom sono!

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